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A PRESENÇA MARCANTE DE PENTECOSTES
Dentro do esquema do Ano Litúrgico, o Domingo da
Ressurreição marca o início de uma caminhada de cinqüenta
dias em direção ao Domingo de Pentecostes. No pensamento
da Igreja, é trajetória assinalada pelo regozijo e entusiasmo,
em virtude da certeza da ressurreição e da esperança em
alcançá-la. Para Santo Atanásio, os dias percorridos entre
esses dois marcos litúrgicos devem ser comemorados “como
um grande Domingo”; para a Igreja, “como se fossem um só
dia de festa”, conforme nos lembra o Diretório da Liturgia.
É oportuna a transcrição do pensamento de Frei
Alberto Beckhäuser, OFM, exposto em seu livro Celebrar a
Vida Cristã: “Páscoa e Pentecostes constituem duas facetas do
mesmo mistério cristão. Páscoa é nascimento, é vida nova.
Pentecostes é crescimento, é testemunho, é pleno desabrochar
até a idade madura em Cristo. (...) Cristo sopra sobre os
Apóstolos o Espírito Santo.” Quem aceita a ressurreição de
Cristo, apregoada fortemente na Páscoa, aceitando sua própria
ressurreição em Cristo, caminha inevitavelmente para a
recepção do Espírito Santo, a presença marcante de
Pentecostes. Não existe ressurreição para a vida da bemaventurança
eterna, se não existe abertura ao Espírito de Deus.
Isto equivale a dizer que não existe Páscoa sem a unção do
Espírito e este derramamento não acontece sem a
pascoalização da vida, isto é, sem a passagem do mundo das
trevas para o mundo da luz, sem a busca da santidade, que só
pode existir na construção da caridade e no empenho
solidário. Continua o grande liturgista, falando-nos da
presença marcante de Pentecostes, o Espírito Santo: “É aquele
mesmo sopro de Deus, que fez do homem um ser vivente. É o
Espírito, fonte de vida e perfeição. É o mesmo Espírito
recebido pelo povo de Deus, recebido pelos reis, sacerdotes e
profetas do Antigo Testamento, a serviço do Povo de Deus.” O
Espírito Santo, dom de Deus, não é propriedade privada de
alguns dentro da comunidade cristã. A sua ação extrapola os
muros de qualquer família paroquial e é percebida em
expressões culturais e espirituais que defendem a vida, a
dignidade humana e os justos direitos dos homens, em
cairmos em conceitos meramente humanos sobre justiça
social.
Tem o Espírito Santo quem, na diversidade de línguas e na
riqueza da multiplicidade de talentos, jamais se esquece de
construir o homem através da linguagem do amor e das
atitudes de respeito e acolhimento dos valores e das
experiências do próximo. Tem o Espírito Santo quem, em seu
serviço junto às pessoas, busca a verdadeira interação entre
elas, procurando construir em seu dia a dia a imagem de
Cristo, dentro da linha do crescimento da dimensão da fé. Por
que não afirmar que tem o Espírito Santo quem faz de
Pentecostes não um episódio a ser celebrado, mas um estado
permanente de vida? Se não houver um permanente estado de
pascoalização e pentecostal em nossa vida, não
experimentaremos a feliz ressurreição! Sem esse estado,
nunca saberemos soprar sobre os outros o autêntico sopro de
vida!
16/5/2009
Fonte: Diác. Juranir Rossatti
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