De
providencial jardim da natureza,
a beira da estrada já distante,
fui buscar-te o que para mim,
naquele instante,
pareceu-me sinal mais próximo de tua singeleza!
Colhi-o com bem cuidada arte!
Era
uma pequenina e delicada flor,
à espera daquele ideal com certeza!
De
ti lembrava a delicadeza dos gestos
e a própria suavidade de teus passos,
que, em distraídos compassos,
deixavam no chão marcas de tua passagem!
Na
imaginação ardente deste poeta,
era igualmente declaração silenciosa de amor,
que desejei deixar manifesta
no espaço bucólico de inefável ingenuidade!
Vem à minha mente com nitidez o cenário:
-
lá embaixo,
sob a tranquila ponte,
o riozinho solitário,
que, de longe, mais parece fonte percorrendo estreitos caminhos
e beijando os pés dos ribeirinhos cantadores;
-
meus ouvidos ouvem agora os gorjeios animadores
dos pássaros brincando com a aragem,
acima de nós dois;
nas alturas,
as
nuvens são travessas meninas,
desenhando curiosas aventuras
e tentando adivinhar nossos segredos
para contar, sem rodeios e medo, ao vento depois;
-
lá em cima,
entre aqueles borrões dourados,
o sol da tarde,
sem alarde.
nos contempla enciumado,
vendo-me caminhar sonhando ao teu lado.
Tudo é presente!
Contudo, o tempo passa...
Ele
que passa tão fugaz
vem-se demonstrando incapaz
de levar consigo estas lembranças...
Vejo
ainda a flor brincando entre teus dedos
como brincam de se esconder em meio ao arvoredo
inocentes crianças, sem receio, vibrando de emoção!
É
verdade:
- o tempo passa...
- o tempo passou...
Mas
a fantasia da saudade,
aliada à minha ansiedade,
orquestrando a magia do retomo á velha estrada,
faz-me depositar sempre de novo em tua mão
a mesma pequenina e delicada flor!
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