ANGÚSTIA POÉTICA

Quero escrever.

Sobre o quê?

Não sei.
Simplesmente desejo escrever.

Uma poesia.
Um conto.
Um canto.
Unta novela.

Não quero escrever depois, mas agora!
Não penso no futuro, mas no presente!
Não penso nas gerações, mas em meus sentidos!

Talvez queira.
escrever apenas para satisfazer esta minha vontade,
este meu estado de espírito!

Mas, os pensamentos não se fixam:

- não querem ser aprisionados numa folha de papel,
fogem para o mundo do inconsciente
para retomarem em algum outro momento...

Cenas diversas bailam em minha imaginação:

- o sorriso puro d'alma pura,
a revoada dos pássaros despreocupados,
os castelos de minha fantasia.,
a fisionomia maga da miséria
estampada no rosto magro
do mendigo que ontem me pediu esmola,
naquela lanchonete suja
que, durante horas, me viu acenando para o tempo...

Nenhuma se fixa.

Fogem todas,
em questão de segundos.

E, em questão de segundos,
eu sorrio,
suplico,
sonho,
lamento,
canto... morro... renasço...

Quero escrever?

Não sei...

É possível que esta minha vontade
seja apenas um pensamento
que já está fugindo...


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