EIS-ME DE NOVO A CONTEMPLAR A CHUVA

Eis-me de novo a contemplar a chuva!

Não é aquele chuva de dias passados,
que, através de seus finíssimos cristais,
deixava
nas árvores,
nas ruas,
nas calçadas,
nas casas,
nos homens,
alguma mensagem de paz espalhada...

Hoje, a chuva é diferente:
- parece-me vazia de sentido...
- parece-me cansada..

(Cansada, talvez, dos homens que a esperam com ansiedade
e, com a mesma ansiedade, a desprezam!)

Hoje, ela não traz a ninguém
(talvez, a mim somente)
aquela mensagem
que percebera numa chuva qualquer do passado!

Hoje, a chuva é enigmática
e eu a detesto
porque gosto de ser diferente.

e, hoje, nós somos iguais!


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